11 atitudes que podem acabar com a motivação da sua equipe – InfoMoney

Veja os principais erros cometidos por alguns gestores durante o dia a dia da corporação e aprenda a evitá-los

Por Eliane Quinalia

Muito se fala sobre motivação no trabalho, mas poucos são os gestores que realmente entendem e adotam essa prática no dia a dia de uma organização. Enquanto alguns erram por falta de habilidade, outros tropeçam pela pouca ou má experiência em gestão.

“São profissionais que não se desenvolveram por falta de experiência no mercado ou por terem tido um péssimo líder ou modelo de gestão”, explica o diretor Executivo da Thomas Case & Associados/Case Consultores, Marshal Raffa.

A falta de um bom modelo pode ser tão prejudicial que, não raro, pode comprometer toda uma operação. “Liderança não é um item que se compra no mercado: ou se nasce com ela ou não. Assim, um mau líder desmotivará sua equipe impactando diretamente nos resultados de uma organização”, diz o diretor e consultor da Daryus Consultoria e Treinamentos, Marcos Assi.

Segundo ele, não basta só ter boa vontade, é preciso ter perfil de gestor. “Algumas empresas até investem em treinamentos de gestão, mas não adianta. Quem nasce com o perfil de liderança se aprimora, já quem não nasce pode passar sete anos em treinamento que jamais será um bom gestor”, diz.

Como deve ser
Para ser um bom líder, o profissional precisa saber ouvir sua equipe, discutir ideias em conjunto, ser humilde em certos pontos e admitir que não sabe tudo e, principalmente, estar presente para e por sua equipe.

“Quem trabalha com um líder ausente questiona o trabalho do gestor e, não raro, se pergunta se seu líder finge não enxergar os problemas do setor ou se realmente não está vendo nada, o que pode ser pior ainda”, comenta Raffa, que atribui ao gestor uma outra habilidade: a de perceber o clima organizacional entre os seus subordinados.

Detone sua equipe
Assim, se você ficou interessado em saber se realmente está sendo um bom líder e se está motivando adequadamente sua equipe, confira as dicas do que não fazer no trabalho, que o Portal InfoMoney preparou para você.

Avaliação surpresa: igual a prova surpresa dos tempos de colégio, uma avaliação de desempenho repentina só pode ser pior que uma sem critérios. Todos querem saber como melhorar, entretanto, deixar um feedback para os 45 minutos do segundo tempo apenas serve para desmotivar os membros de uma equipe. O erro revela ainda um outro problema: a falta de planejamento do gestor, que teve doze meses para dar um feedback ao contratado, mas deixou a exposição para o último minuto.

Time do “eu sozinho”: detalhar demais como uma tarefa deve ser cumprida ou dar uma ordem sem explicar a importância do procedimento em questão são formas de microgestão e revelam uma característica negativa do gestor, ou seja, que ele joga sozinho e teme dar autonomia aos seus subordinados. “Essa atitude não só desmotiva a equipe, mas também passa a impressão de que o time é incompetente e incapaz de tomar decisões”, diz Assi.

Critique em público: críticas devem sempre ser feitas em particular, preferencialmente em uma sala reservada longe do olhar de outros membros da organização. O tom de voz também é importante, afinal, de nada adianta uma conversa em uma sala restrita se todos puderem ouvir o que está sendo dito lá dentro, não é mesmo?

Recompense quem não seguir as exigências: se você exige um comportamento de sua equipe, não cometa o erro de premiar aqueles que não atendem as exigências. Se a equipe for injustiçada, mais cedo ou mais tarde alguém pagará por isso e não estranhe se esse alguém for você. O próprio Assi conta que já trabalhou em uma empresa de software que valorizava um ambiente estável, mas que premiava, sem perceber, profissionais que causavam erros propositais para consertá-los depois. “Com isso, os certinhos começaram a criar bugs para atrair a atenção”, diz.

Determine metas inatingíveis: muitos gestores acreditam que, sem prazos, as pessoas relaxam e para contornar a situação, determinam metas para ver a equipe dar tudo de si. De fato, muitos farão de tudo para alcançar uma meta viável mas, se por alguma razão acharem que aquilo é impossível, a motivação irá por água abaixo.

Pergunte e ignore: ao perguntar para sua equipe o tempo que alguém levará para realizar uma tarefa, anote e respeite. No máximo, negocie os prazos. Cortar o colaborador enquanto ele fala é um grande equívoco. “Ao agir desta maneira o líder desmotiva o funcionário por determinar um prazo inatingível, por ignorar seu julgamento profissional e por ridicularizá-lo publicamente. No final, a equipe estará mais interessada em não cumprir o prazo para provar que o gestor estava errado do que em atender a meta”, explica.

Tratamento VIP: chefes não precisam tratar todos os subordinados da mesma forma, mas devem tratá-los com igualdade. Por isso, mesmo que tenha mais simpatia por alguém da equipe, não faça distinção.

Solte frases vazias: esqueça aquela lista interminável de frases teoricamente motivadoras como “apenas faça!”, “pense fora da caixa!” e “falhar não é uma opção!”. Em alguns casos, artifícios como esses podem até funcionar, mas soltar frases vazias diante de um problema real soa para os colaboradores como falta de habilidade para o cargo de gestão.

Mostre que sua equipe é um custo: tratar a equipe como custo para a empresa é um dos principais desmotivadores de uma organização. Se a redução de custos estiver atrelada a redução de pessoal então, pior ainda. Neste caso, a mensagem recebida pelos colaboradores será de que a mão de obra da empresa não é formada por pessoas, mas sim por investimentos.

Faça um ranking dos melhores: ao colocar os colaboradores em um ranking, a companhia não só passa a mensagem de que valoriza apenas quem está no topo, mas também de que os últimos classificados podem ser fortes candidatos à “dança das cadeiras” no próximo corte. Por isso, fuja das listas.

Não confie em ninguém: se uma pessoa da empresa abusar da confiança da companhia e se exceder em algum gasto, lembre-se que isso não deve ser motivo para reforçar o policiamento sobre os demais. “Trabalhei para uma empresa na qual duas pessoas abusaram da política de uso do táxi. Depois do incidente, a vice-presidente decidiu que ela teria de aprovar pessoalmente qualquer despesa de mais de cinco dólares. Ficou claro que ela pensava que ninguém na companhia era confiável”, lembra Assi.


Ariel Cannal

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