A mediocridade campeia

A mediocridade campeia

É inacreditável para aqueles que, como eu, já presenciaram neste Brasil de outras épocas, a forma com que as pessoas agem quando o assunto é trabalho/empresa.

Instituiu-se neste grupo de pessoas despreparadas para exercer determinadas atividades os princípios de que “tenho todos os direitos, mas obrigação não tenho nenhuma.”

A quem estes pseudoprofissionais pretendem enganar? Sem dúvida, a si próprios, uma vez que cedo ou tarde pagarão o preço por esta atitude. Em médio e longo prazos são fortes candidatos a “losers” (perdedores) frustrados e mal resolvidos em todos os campos de sua vida.

O Brasil é um país que cresceu, e muito, graças à enorme miscigenação de raças que trouxe o conceito de que apenas com trabalho árduo se alcança o sucesso. Mas o que se nota hoje, à medida que o exemplo dos estrangeiros que aqui vieram se torna apenas uma lembrança, uma vez que é minoria, o conceito do “levar vantagem” em tudo.

O exemplo que os políticos e governantes nos dão (com raras e honrosas exceções) levam os desavisados a pensar que corrupção, desvios de dinheiro público e outras formas de lesar o próximo já estão institucionalizados no país e fazem parte da vida de todas as pessoas. Puro engano: este tempo vai passar e novamente o valor será dado a quem, honestamente, trabalha e faz jus aos seus rendimentos.

Os serviços, em particular, nunca estiveram em uma fase tão crítica: o que quer que você solicite ao profissional da área será tratado com o máximo desdém e o mínimo de boa vontade, dando a nítida impressão de estar lhe fazendo um grande favor. Desde uma simples padaria, passando por um restaurante ou um check-in de companhia aérea, o serviço é o mesmo: medíocre.

Qual será o futuro deste país de enormes possibilidades e tão pouca cultura e educação? Quem viver verá. Entretanto, o cenário é sombrio.

Há meses se fala em Copa do Mundo com seus prós e contras, pois este seria o ópio para anestesiar o povo; mas o efeito foi contrário: o desprezo demonstrado pela população dos grandes centros mostra o erro na decisão de trazer este torneio para o Brasil, já que nós éramos os únicos interessados neste evento – não havia nenhum outro competidor.

Então, o que se assiste hoje é um massacre dos meios de comunicação tentando mostrar ao povo que durante este longo mês não deveremos fazer outra coisa senão acompanhar todos os jogos, e assim o trabalho será, durante este interminável período, a última prioridade da sua vida.

Não nos deixemos levar por este falso período de euforia forçada, pois 52% dos brasileiros, muito sabiamente, são contrários à realização deste evento nacional, como mostraram as recentíssimas pesquisas de opinião.

Já bastam os feriados que teremos por decreto e que serão impossíveis de se evitar, mas os outros dias úteis devem ser mais do que aproveitados, pois apesar de tudo, precisamos estar dispostos para fazer o melhor atendimento, dar a melhor atenção a quem, às vezes com muito sacrifício, paga pelos nossos serviços.

13 de julho chegará e felizmente voltaremos à nossa saudável rotina: trabalhar com vontade, apaixonados pelo que fazemos, dando o melhor de nós para nossos clientes. Isto sim é a verdadeira satisfação que nos faz felizes e realizados – e não a utopia que é criada para nos desviar dos problemas graves que assolam nosso povo, tentado nos fazer viver num mundo fantasioso durante 30 dias.

Pagar R$ 1.300.000,00 (isto mesmo, um milhão e trezentos mil reais!) a cada um dos atletas brasileiros, se vencerem a Copa do Mundo, é no mínimo um acinte às dezenas de doentes jogados nas macas espalhadas nos corredores dos hospitais públicos, às pessoas que diariamente sofrem com os ônibus e metrôs, às milhares de crianças que deveriam estar estudando e não o fazem por falta absoluta de condições.

Somos brasileiros e teremos muito orgulho se formos os vencedores, mas não devemos nos esquecer do preço que estará sendo pago por tudo isso. Que chafurdem na lama os falsos patriotas preocupados tão somente em se locupletar. Vamos fazer nossa parte como cidadãos íntegros que pagam impostos e amam este país.


Norberto Chadad | CEO das empresas Thomas Case & Associados e Fit RH Consulting
Norberto Chadad | CEO das empresas Thomas Case & Associados e Fit RH Consulting

Mestre em Alumínio pela Escola Politécnica, Mestre em Metalurgia pela USP, MBA pela Los Angeles University, Graduado em Economia pela FGV e Graduado em Engenharia Metalurgista pela Universidade Mackenzie

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