A portabilidade e a gestão por competências

A portabilidade e a gestão por competências

Muito em voga atualmente, a portabilidade é o conceito segundo o qual uma determinada característica mantém-se inalterada independentemente de mudanças conjunturais que possam vir a ocorrer. Usado inicialmente em telefonia para indicar que o número de telefone pode acompanhar o contratante do serviço mesmo se este mudar de endereço ou de operadora, mais recentemente adotou-se o conceito em saúde, para indicar que os serviços contratados poderiam continuar os mesmos sem qualquer tipo de carência caso o contratante mudasse de plano seja por qual motivo for. Mas, muito antes do conceito de portabilidade vir a fazer parte do dia-a-dia das pessoas, a área de RH já lidava com essas características imutáveis ao longo do tempo e das circunstâncias. O leitor atento já percebeu onde estou querendo chegar. Estamos falando é claro, do conceito de competência.

A competência é a portabilidade aplicada ao RH. Competência é aquele conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes que todo profissional desenvolve e que o acompanha ao longo da trajetória, seja qual for a atividade ou a empresa em que esteja. À medida que ele vai trilhando o caminho, descobre novas atividades ou novas empresas (ou é escolhido por estas), de modo que, em face de um novo desafio, ele, como profissional, vai lançar mão das coisas que conhece e que aprendeu ou então vai aprender coisas novas. Ele vai usar as competências de que dispõe.

Conheço pessoas que abandonaram carreiras executivas relativamente bem-sucedidas e se lançaram em empreendimentos de futuro incerto. Quebraram em poucos meses. Igualmente conheço gente que saiu de empresas reconhecidamente sólidas e empreenderam bem-sucedidos casos de negócio próprio. O que estes dois exemplos extremos têm em comum? Bem, de certa forma, ambos alcançaram momentos profissionais que exigiam alguma mudança. Ambos tiveram a atitude de tentar um novo modelo. Mas a um faltou algo. Podemos dizer que faltou competência.

Também conheço gente que se aposentou numa empresa após ter trabalhado na mesma função por mais de vinte anos consecutivos. Outro já consegue promoções e mudanças de cargos dentro da empresa, e em dez anos já fez de tudo um pouco. Acho que este segundo adquiriu muito mais competência do que aquele que estagnou. Competência é encarar o risco, o desafio. Você não vai desenvolver novas habilidades se fizer sempre a mesma coisa, ano após ano.

Há quem defenda que a gestão por competências insere-se em um contexto de cultura organizacional sugerindo, segundo este contexto, que o meio é quem faz o profissional. Eu afirmo, com segurança, que a competência é de iniciativa e responsabilidade do indivíduo. Cada um de nós vai moldar o próprio comportamento em função das situações profissionais que defrontarmos.


Norberto Chadad
Norberto Chadad

Norberto Chadad é Engenheiro Metalurgista pela Universidade Mackenzie, Mestre em Alumínio pela Escola Politécnica, Economista pela FGV, Master em Business Administration pela Los Angeles University, CEO da Thomas Case & Associados e Fit RH Consulting, e tem “Paixão por Pessoas”.

Os comentários estão fechados.