Aproveite para conseguir a remuneração dos seus sonhos – Brasil Econômico

Natália Flach   (nflach@brasileconomico.com.br)

Hoje, 70% dos gestores de RH estão mais dispostos a negociar salários para atrair e reter ótimos candidatos.

Ana, da Robert Half: procura-se executivo sem vícios setoriais

Se, dois séculos atrás, os trabalhadores lutavam pela redução da jornada de trabalho para oito horas diárias, na primeira década de 2000, executivos passaram a se orgulhar de ficar 12 ou 14 horas por dia no escritório. Agora, a qualidade de vida volta a ganhar destaque no mundo corporativo.

De acordo com pesquisa da Robert Half concedida com exclusividade ao Brasil Econômico, benefícios não financeiros, como horários flexíveis e período sabático, são ferramentas usadas para atrair e reter funcionários.

O levantamento com 1.777 diretores de recursos humanos em 15 países, entre eles, Brasil, França, Alemanha e Reino Unido aponta que 81% dos entrevistados consideram esses benefícios muito eficientes ou eficientes. No Brasil, a média é levemente inferior, de 78%.

A pesquisa mostra ainda que metade das companhias ao redor do mundo está mais disposta a negociar os salários de ótimos candidatos quando comparado com 12 meses atrás. No Brasil, o número sobe para 70%, enquanto em Hong Kong é de 76% e na Suíça é de apenas 28%.

Isso é reflexo não apenas da crise econômica, mas também do fato de as companhias nesses países perderem frequentemente candidatos e funcionários por não terem atendido as expectativas salariais. Enquanto a média mundial é de 58%, em Hong Kong é 80% e na Suíça, 46%.

De acordo com Ana Guimarães, gerente da divisão de mercado financeiro da Robert Half, o fator que mais pesa na hora de avaliar um possível aumento de salário é a rentabilidade. “Os tomadores de decisão avaliam se é possível aumentar o salário ou oferecer benefícios, como cursos ou um carro”, afirma.

Segundo a executiva, os bônus têm ficado cada vez maiores no Brasil. “Anos atrás, celular e computador eram vistos como benefício; hoje, não mais. Além disso, cada vez mais companhias tem dado verba anual para o colaborador usar com a saúde, massagem ou exercício físico.” Ana cita como exemplo o plano Free Choice do Citi Brasil.

O momento também pode ser propício para conversar com os diretores sobre novas oportunidades, já que as empresas estão fazendo a revisão de orçamento para o ano que vem.

“Cada área vai colocar no papel as metas que foram atingidas e quanto precisam de verba para 2013. Aqueles que saem fora da caixinha e têm perfil de liderança têm maiores chances”, diz Ana.
De acordo com a pesquisa, as habilidades de liderança são, de fato, a principal característica levada em consideração no momento de rever os salários.

“No Brasil, quanto mais resultados, melhor poder de barganha. O profissional tem até o fim do mês para conversar sobre aumento. Depois disso, só é recomendado a partir da segunda quinzena de janeiro”, afirma Marshal Raffa, diretor executivo da Thomas Case & Associados, acrescentando que hoje o mercado está de olho em profissionais qualificados, com experiência, domínio de idiomas e proatividade.

“Acredito que 2013 manterá a tendência de contratações no mesmo patamar de 2012, diferentemente do pico visto em 2011. Em relação ao ano passado, houve uma freada por causa da Europa – multinacionais reduziram investimentos, mesmo com produção local sendo positiva”, afirma.

Segundo Raffa, os ramos que devem estar mais aquecidos, no ano que vem, são serviços, construção civil e indústria de transformação.

Bons gestores trocam cada vez mais de área. “Até um tempo atrás, a indústria não convidava executivos do mercado financeiro por terem perfil mais generalista. Hoje, busca-se alguém sem vícios de determinado setor”, descreve Ana, da Robert Half.

É o caso, por exemplo, de Marcel de Moraes, diretor de planejamento financeiro da Marfrig. Formado em administração pela Fundação Getúlio Vargas, Moraes foi contratado em junho por ter experiência em finanças, tendo passado pelo Credit Suisse e Bradesco.


Ariel Cannal

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