Foco e disciplina: como não sucumbir à tentação do modo automático

Talvez a maioria das pessoas não esteja familiarizada com o termo anodinia. No dicionário é registrado apenas como ausência de dor, mas o seu significado é mais amplo. É aplicado, por exemplo, aos médicos, que de tanto testemunharem sofrimentos e dores, acabam por não mais se impressionarem com as tragédias. Jornalistas enfrentam o mesmo: de tanto ver, relatar e exibir acidentes, assassinatos, doenças, passam a sentir cada vez menos impacto com fatos e imagens terríveis. Com isso, mesmo a maior dor deixa de ser impressionante.

Podemos aplicar a ideia à equipe de uma empresa que se acomoda diante de todas as pressões e conjunturas difíceis, típicas de um ambiente empresarial. E, aos poucos, essa equipe vai se acostumando às intempéries e deixa de se emocionar. É talvez o grande perigo dentro de uma corporação: o grupo que se acomoda e segue em frente apenas tocando a rotina, sem se impressionar com as tensões e inovações que o mercado exige. Uma equipe que chegou a esse ponto está prontinha para deixar que a empresa escorregue ladeira abaixo, porque a rotina do dia a dia pode ser uma armadilha que ativa o modo automático e afasta o cumprimento das metas.

Como alterar este quadro para não cair nesta tentação?

E já que começamos falando em medicina, vamos agora falar de remédios.

O primeiro é foco. O que chamamos foco é o conjunto das diretrizes organizacionais definidas pela empresa, em relação ao seu negócio, à sua participação social, às suas metas e aos princípios éticos e morais. Se a empresa tem foco no cliente e deixa isso claro, na sua missão, na sua visão e nos seus valores, a tendência é de que todo o grupo permaneça concentrado em atender as necessidades do cliente, e isso confere unidade ao time. Da mesma forma, quando a empresa além do cliente, tem como foco o reconhecimento do seu capital humano, estimulando a cooperação, a empresa como um todo progride, com um nível reduzido de conflitos.

O outro remédio é disciplina. Não a disciplina imposta, autoritária, mas a disciplina obtida naturalmente por meio de um método claro e eficiente de trabalho e por meio do exemplo que a Direção da empresa procura transmitir a todos os colaboradores. Isso porque método implica necessariamente em planejamento e organização; em respeito à hierarquia; todo trabalho, seja em que área for, requer processos lógicos, sequenciais e eficientes para que não se perca tempo e não sejam criados embaraços e desperdícios. Disciplina conduz, naturalmente, à responsabilidade.

Para ligar isso tudo, está a comunicação. É fundamental o diálogo aberto, sem subterfúgios ou enganos, para que a equipe confie na empresa, tomando conhecimento das políticas e valores corporativos. Quem conhece o que faz e sabe qual é o propósito do seu trabalho, trabalha melhor, com foco e disciplina. Mas não se pode esquecer da expressão-chave, tanto no mundo dos negócios quanto na vida pessoal: bom-senso.


Norberto Chadad
Norberto Chadad

Norberto Chadad é Engenheiro Metalurgista pela Universidade Mackenzie, Mestre em Alumínio pela Escola Politécnica, Economista pela FGV, Master em Business Administration pela Los Angeles University, CEO da Thomas Case & Associados e Fit RH Consulting, e tem “Paixão por Pessoas”.

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