Investimento em pessoas e o conceito de RH na visão de um engenheiro

Investimento em pessoas e o conceito de RH

Quando as pessoas me perguntam o que faz o RH numa empresa, eu costumo responder que o RH é o departamento responsável pela Engenharia Financeira do capital humano dentro das organizações. E essa minha resposta invariavelmente causa sensação de perplexidade nos meus ouvintes. Não pode ser, eles dizem, RH e Financeiro são áreas completamente diferentes. Pode ser. Mas será tão diferente assim?

Senão vejamos: antigamente, as empresas contratavam e administravam as pessoas através de um DP (Departamento Pessoal), e era isso mesmo. Investia-se o necessário para que as pessoas trabalhassem e ao final do mês recebessem o envelope com o pagamento, em dinheiro ou cheque. A modernização eliminou o envelope de pagamento, trouxe o banco para dentro da empresa e aos poucos os empresários mudaram a forma de pensar sobre as pessoas, que se transformaram em peças fundamentais na cadeia produtiva. Deixaram de ser “pessoas” (meramente autômatos que trocavam trabalho por moeda) e se tornaram embriões de recursos, ou a primeira versão do moderno conceito do RH, ou seja, tornaram-se “ativos”. Era comum naqueles tempos se ouvir que “o maior patrimônio da empresa são seus empregados”. Frases assim.

“Ativo” e “patrimônio” já são conceitos financeiros, significando dinheiro disponível. São portanto “recursos”, e então estamos chegando próximo ao conceito moderno de RH, ou pelo menos já entendemos como se chegou a primeira parte do nome. Mas pessoas não são moeda. Sempre olhei com certa estranheza para esta definição de gente como patrimônio. E minha estranheza aumentou ainda mais quando, em períodos de crise, as empresas demitem em massa. Minha mente de Engenheiro simplesmente não conseguia compreender como é que as empresas se desfaziam de seu maior patrimônio justamente quando atravessava uma crise. Faz algum sentido para você?

Mas aos poucos se entendeu que as pessoas se movem, se transformam, se capacitam. Os profissionais tornam-se melhores, desenvolvem competências, aprimoram talentos. Produzem mais e melhor para seus empregadores, aumentam os lucros e consequentemente podem ser melhor remunerados e reconhecidos. Podem ser promovidos. Gera-se um ciclo positivo. É quase uma aplicação muito rentável no overnight.

Para gerir todo este ciclo e garantir um crescimento contínuo das empresas e das pessoas era necessário uma área que gerenciasse estes recursos com o entendimento de que se tratava de pessoas. E então chegamos ao conceito moderno de RH. Levou quarenta anos, mas hoje entendemos o porquê do empregado ter virado moeda e voltado a condição de ser humano pensante. Porque é preciso que todos ganhem.


Norberto Chadad
Norberto Chadad

Norberto Chadad é Engenheiro Metalurgista pela Universidade Mackenzie, Mestre em Alumínio pela Escola Politécnica, Economista pela FGV, Master em Business Administration pela Los Angeles University, CEO da Thomas Case & Associados e Fit RH Consulting, e tem “Paixão por Pessoas”.

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