Jundiá busca sócio para chegar ao Nordeste – Valor Econômico

Por Daniele Madureira | De Itupeva (SP) 

 

“Se a Unilever não precisa de todos os distribuidores porque já tem uma marca conhecida, eu preciso, para aumentar a presença do meu produto”, diz Bergamini

 

 

Ainda faltam dois meses para a fabricante de sorvetes Jundiá mudar para a sua nova sede dentro da cidade de Itupeva (SP), a 60 quilômetros de São Paulo. No novo endereço de 25 mil m2, com 10 mil m2de área construída, só existem duas das seis linhas de produção instaladas, trabalhando em fase de testes. O lugar está completamente desprovido de móveis, telefones, computadores e pessoal. Mas isso não impede que o administrador César Augusto Bergamini, diretor-geral da Jundiá Sorvetes, receba a reportagem do Valor em uma sala equipada apenas com uma escrivaninha e uma cadeira.

“Quem está de casa nova quer mostrar”, brinca o empresário de 33 anos, filho do fundador da Jundiá, que se tornou uma das maiores fabricantes nacionais de sorvetes. Em relação à presença nos lares brasileiros, segundo pesquisa recente da Kantar Worldpanel, referente a 2011, a Jundiá só está atrás da líder Kibon, marca da anglo-holandesa Unilever, e da multinacional suíça Nestlé, vice-líder (ver texto nesta página). A Jundiá conquistou o terceiro lugar nacional apesar de ter suas vendas restritas aos Estados de São Paulo e do Rio de Janeiro. Por enquanto.

“Contratamos a consultoria Price [PwC] para encontrar um sócio investidor”, diz Bergamini, que registrou um salto de 80% no faturamento nos últimos três anos, chegando a R$ 90 milhões em 2011. Este ano, a previsão é vender R$ 108 milhões. Com o novo sócio, a expectativa do empresário é disputar o Nordeste do país, a partir da construção de uma nova fábrica. “Se dependermos de recursos próprios, uma nova unidade demoraria uns oito anos, queremos acelerar esse processo.”

Na nova unidade de Itupeva, para onde serão transferidas as operações das outras duas fábricas – em Itupeva e Jundiaí (SP) -, a empresa está investindo R$ 10 milhões. Parte do montante veio de recursos próprios e outra parte do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). As duas unidades antigas serão desativadas e Bergamini estuda transformá-las em centros de distribuição (CDs). A empresa já conta com dois CDs, um no bairro paulistano de Pirituba e outro na cidade de Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo. Com a nova fábrica, a Jundiá vai duplicar a sua capacidade para 16 milhões de litros de sorvete ao ano. “Estávamos no limite”.

Criada há 35 anos por Valdomiro Bergamini, que comprou uma pequena sorveteria em Jundiaí, a Jundiá está presente hoje em 25 mil pontos de venda no Rio e em São Paulo. Seis mil deles estão na capital paulista. O plano da empresa é pelo menos dobrar essa presença dentro de quatro anos. Para isso, conta com os distribuidores que vêm sendo descartados pela Kibon/Unilever. Conforme revelou o Valor em 19 de julho, a Unilever decidiu assumir diretamente a venda dos produtos Kibon em praças importantes de São Paulo e do Rio, eliminando a figura do distribuidor, para aumentar a sua margem na negociação com as grandes redes de supermercados.

“Se a Unilever não precisa deles, porque já tem uma marca muito conhecida, eu preciso, para aumentar a presença do meu produto nos pontos de venda”, diz César Bergamini, que já começou o contato com alguns revendedores. O diferencial da Jundiá é oferecer sorvetes com valor 30% menor que o das líderes e ter como principal canal de vendas o pequeno varejo. Parte do mix da marca paulista é “inspirado” em marcas fortes das múltis, como o Max, picolé que lembra o Magnum, da Kibon.

Com a fábrica de Itupeva, a ideia é crescer nos mercados paulista e fluminense. Os planos são ambiciosos. “Na melhor das hipóteses, dobramos de tamanho em quatro anos e, na pior, em cinco”, diz. Para conquistar um sócio investidor minoritário para acelerar a sua expansão, a Jundiá tem procurado fazer a lição de casa. Além da PwC, contratou a auditoria da Deloitte e a consultoria Thomas Case para elaborar um plano de cargos e salários e está adotando ferramentas de gestão para tornar os processos mais transparentes. “Os fundos exigem isso”, diz.


Ariel Cannal

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