Mulheres, CEO e o Poder da Intuição

No ano de 2017, a revista Forbes listou as 100 mulheres mais poderosas do mundo. Dentre elas, políticas como Ângela Merkel (Chanceler da Alemanha), Theresa May (Primeira-ministra do Reino Unido); executivas de grandes empresas como Sheryl Sandberg (COO do Facebook) e Ana Patricia Botín (CEO do Santander). Mulheres brasileiras também foram lembradas pela publicação, como Carmem Lucia (Presidente do Supremo Tribunal Federal), Chieko Aoki (fundadora e CEO do Grupo Blue Tree Hotels), Rachel Maia (CEO da Pandora Brasil), entre outras importantes executivas.

O propósito deste texto, porém, não é focar somente nas mulheres executivas, consideradas “poderosas”, mas fazer uma análise empírica e uma reflexão das referências femininas que tenho e de quais habilidades permitem que elas se tornem CEOs de suas vidas e de suas carreiras. Para isso, gostaria de fazer um trocadilho, desconstruindo o termo CEO – maior autoridade na hierarquia operacional em uma companhia –, e pensar neste momento como: C – Criatividade, E – Empreendedoras e O – Obstinadas. Através desse jogo de palavras, acredito que todas as mulheres potencializam seu lado criativo, fazendo delas muitas vezes empreendedoras.

Estas características femininas se mostram em vários momentos. Por exemplo, quando elas se tornam mães e decidem interromper a carreira para cuidar dos filhos; ou quando precisam trabalhar em dois ou três empregos para sustentar suas famílias. Todas elas, independentemente de suas necessidades ou classe social, são obstinadas em seus objetivos e desenvolvem muitas competências como empatia, criatividade e altruísmo. Estas habilidades trazem uma reflexão de como a intuição é desenvolvida por muitas mulheres.

O documentário INNSAEI – O poder da intuição, disponível na Netflix, traz, por meio de depoimentos de professores, pensadores e espiritualistas do mundo todo, informações e reflexões de como podemos lidar com nossas intuições e emoções. Uma palavra dita várias vezes no documentário é a empatia, que consiste em tentar compreender emoções que o outro indivíduo sente e leva as pessoas a ajudarem umas às outras. A facilidade que muitas mulheres têm em desenvolver esta qualidade abre possibilidades para se importar com o próximo.

Empatia é o ato de se colocar no lugar do próximo, o que leva naturalmente ao acúmulo de tarefas realizadas pelas mulheres. Muitas delas ainda continuam sendo as principais responsáveis pelas tarefas domésticas e pelas atividades profissionais, sobrecarregando-as. Por isso, fica aqui um exercício para pensar como as mulheres conseguem atuar em tantas atividades, que deveriam ser compartilhadas com os homens num movimento mútuo.

A criatividade e o empreendedorismo, por sua vez, refletem o ato de criar, desenvolver, inventar. Por meio deles, devemos buscar soluções para viabilizar novos produtos/serviços. Afinal, a criatividade é uma parte do nosso aprendizado enquanto criança e adultos. Neste contexto, surgem ainda outras duas palavras: autonomia e autoestima. A autonomia carrega o sentido de liberdade de escolhas e dos melhores caminhos aceitos por uma pessoa; já a autoestima se mostra em pessoas com confiança, que valorizam suas conquistas e a si mesmas, que têm certeza de suas decisões.

O processo de empreender decerto vem nesta bagagem. Diversas mulheres iniciam seus negócios em casa para conciliarem o bem-estar e os cuidados de seus filhos e de suas casas. Ou então se reinventam em suas próprias profissões conciliando seus conhecimentos em nichos de mercado pouco explorados.

Aí vai um exemplo: uma amiga fisioterapeuta e então grávida de um lindo menino (hoje, Léo) planejou uma transição de carreira para que ela pudesse passar mais tempo com o filho quando ele nascesse. Ela observou o mercado de trabalho e estudou o que faltava para sobressair-se em sua profissão. Encontrou no pilates a possibilidade de atuar como autônoma, voltou aos estudos e planejou-se, com total apoio de seu marido (o que é de extrema importância). Então, desenvolveu aulas para gestantes e mamães recentes para que elas pudessem levar seus filhos ao estúdio e, assim, realizarem uma atividade física.

A perspectiva de enfrentar situações críticas e de dar a chamada volta por cima nos problemas com criatividade, inovação e empatia são características que devemos assimilar. Não precisamos buscar estas referências nos livros ou em sites: apenas observem as mulheres que estão em sua família, suas parceiras, suas amigas, suas colegas de trabalho, suas professoras. Reflitam sobre a biografia de suas avós e ancestrais e percebam o quanto poderá aprender com todas estas histórias. Sem dúvida serão verdadeiras CEOs da vida.

“O saber a gente aprende com os mestres e os livros. A sabedoria se aprende é com a vida e com os humildes”. Cora Coralina.


Ariel Cannal

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