Nunca contrate alguém que você não poderá demitir II

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“Na reformulação da empresa, você não cabe.” E pronto. Com essa frase, pode-se encerrar uma carreira – ou, no mínimo – um ciclo dentro de uma carreira. Mas há muito mais em jogo. Esta pessoa que está sendo demitida foi contratada baseada em critérios técnicos e comportamentais ou foi “indicada”? Aí, inicia-se o grande problema.

Conheci um executivo, de uma grande empresa brasileira, que tinha como cliente uma montadora de automóveis. O diretor industrial dessa montadora possuía uma filha recém-formada na área de Comunicação. Ingênua, inexperiente, não agregaria muito à empresa, naquele momento. Mas, para não desagradar seu cliente de anos, o executivo abriu uma vaga na Assessoria de Comunicação e pediu para que o gerente a contratasse. Claro, que o gerente ficou aborrecido com esse pedido, porque há meses solicitava um profissional sênior que o ajudasse nas tarefas de atendimento aos repórteres que frequentemente pediam entrevistas. Teve que engolir a novata. Deslumbrada com a posição, a mocinha se arvorou no papel de porta-voz da empresa, atendendo repórteres e divulgando informações – algumas sigilosas – sem consultar o gerente. Sua atuação passou a ser um problema, e não uma solução. Marcaram reuniões com a nova contratada, treinamentos, ameaças. Nada. A moça não melhorava. A cura seria, desde o início sabido pelo gerente, trocá-la por alguém mais maduro e comprometido com a empresa. A solução parecia fácil. Mas… como fazer para demitir a funcionária?

O caso retornou para o executivo. Ele mandara admitir, ele devia demitir. Foi um enorme problema. O executivo passou noites sem dormir, pensando em como justificar ao diretor da montadora a decisão de demitir sua filha. A situação piorou ainda mais, porque a moça iniciou um namoro com um jovem desembargador conhecido pelo difícil perfil pessoal. A demissão resultaria em dois inimigos a mais: o pai e o namorado. Assim, o executivo optou por ter uma competente a menos. E manteve a moça.

Este episódio, por si só, mostra a importância com que uma empresa deve discutir com quem de fato entende. Neste caso, com uma consultoria experiente a sua necessidade de contratação. Um perfil criteriosamente descrito e absolutamente compreendido pela consultoria levará sem dúvida a uma decisão assertiva, trazendo a pessoa certa ao lugar certo, pois a contratação através de critérios técnicos aliados aos comportamentais eliminam problemas como o descrito acima.

Contratações e demissões corretas levam uma empresa a alcançar bons resultados e é esta a razão das boas consultorias, que como o próprio nome diz, devem assessorar, orientar e entender a cultura da empresa para depois auxiliar na composição do perfil adequado para a função.

O mundo corporativo atual passa por mudanças radicais que mantém elevado o nível de pressão sobre os líderes. Exige-se deles resultados e ações imediatas, o que muitas vezes inviabiliza a atenção para com a dimensão humana da sua equipe. Essas mudanças estão contidas na sigla VUCA, do acrônimo inglês, Volatility, Uncertainty, Complexity and Ambiguity (Volatilidade, Incerteza, Complexidade e Ambiguidade). Tudo isso tem a ver com o mercado: o eterno comandante do ambiente corporativo. E, se o mercado se altera, alteram-se as necessidades de produção, e pessoas podem tornar-se dispensáveis. É a lei da oferta e procura aplicada às pessoas.

Devemos sempre ter em mente que por mais informatizada que seja uma empresa, com sofisticados sistemas de alta tecnologia implantados, o ativo mais importante é o capital humano. Este é o principal propósito de nunca se contratar pelo QI (Quem Indicou) e sim por critérios totalmente baseados em históricos profissionais. E, neste aspecto, a empresa deve estar atenta ao seu ativo humano e, promover sempre que possível, colaboradores que se destacam, ou promover um processo de recrutamento para substituí-lo.

Valorizar os bons colaboradores, analisar a perfeita adequação deles no contexto geral, indicá-los para posições importantes quando notar que têm capacidade para tal função é compromisso de todos que exercem posições de liderança. É obrigação dos bons gestores, além de pensarem em si próprios (prática infelizmente cada vez mais frequente), ter a sensibilidade de enxergar e sentir que existem profissionais que merecem uma oportunidade, que estão preparados para crescer. Cabe ao gestor esta missão!

Frase para reflexão: “A única maneira de fazer um ótimo trabalho é amando aquilo que se faz” – Steve Jobs.


Norberto Chadad | CEO das empresas Thomas Case & Associados e Fit RH Consulting
Norberto Chadad | CEO das empresas Thomas Case & Associados e Fit RH Consulting

Mestre em Alumínio pela Escola Politécnica, Mestre em Metalurgia pela USP, MBA pela Los Angeles University, Graduado em Economia pela FGV e Graduado em Engenharia Metalurgista pela Universidade Mackenzie

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