O lado bom de ser PJ – InfoMoney

Algumas pessoas podem até torcer o nariz quando encontram este tipo de proposta, mas existem algumas vantagens; veja abaixo

Por Karla Santana Mamona

A alta carga tributária do País faz com que muitas empresas busquem profissionais que trabalhem como pessoa jurídica. Algumas pessoas podem até torcer o nariz quando encontram este tipo de proposta, mas existem algumas vantagens.

A principal, segundo o especialista em soluções em Recursos Humanos da De Bernt Entschev Human Capital, Clayton Pinto, é ter uma remuneração mais alta ao ser comparado com um profissional que trabalha no regime de CLT. “Para o PJ, a empresa tem condições de oferecer uma remuneração mais agressiva, devido a economia que ela irá fazer em relação aos tributos”.

Antes de aceitar a proposta, o profissional tem de fazer os cálculos, colocando no papel, além do salário, o valores dos benefícios (vale-refeição, convênio médico e odontológico, 13º salário, entre outros) que ele receberia se trabalhasse como CLT. “Em média, o valor total tem de ser 50% do salário de quem trabalha registrado”.

Nesta conta, também é importante incluir os valores do FGTS (Fundo de Garantia de Tempo de Serviço) e do INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social). No primeiro caso, a pessoa pode investir o valor mensalmente, enquanto no segundo é possível contratar um plano de previdência privada. “Não precisa ter medo achando que perderá os benefícios, basta saber negociar”.

Flexibilidade
Além do salário mais atrativo, quem trabalha como PJ tem a vantagem de não ter de “bater ponto”. Quem presta serviço é importante ter em mente que tem de entregar o trabalho combinado com a empresa, não importa exatamente o horário que este trabalho será realizado. “Geralmente, esta pessoa trabalha por meta e resultado. É isso que a empresa quer, ela não liga para o horário, existe uma flexibilidade”.

Quem trabalha como pessoa jurídica desde que se formou em Informática é a analista de Sistema, Andressa Sá. Ela lembra que na sua área de atuação é muito difícil encontrar empresas que registram seus empregados. “Sou PJ há quatro anos, nunca trabalhei como CLT”.

Além da flexibilidade de horário, uma das vantagens que ela aponta em trabalhar como PJ é poder atender outras empresas, aumentando assim seu ganho mensal. “Consigo fazer alguns freelas”.

Sobre o fato de ter de comprovar renda, preocupação comum a alguns profissionais, ela explica que com as notas fiscais consegue facilmente comprovar seus ganhos. “Nunca tive problema com isso”.

Simples e Empreendedor Individual
Por fim, para aqueles que afirmam que apesar das vantagens, o sistema tributário pode deixar os profissionais de cabelo em pé por falta de conhecimento, há duas soluções: o Simples Nacional e o Microempreendedor Individual. É o que lembra o diretor Financeiro da Thomas Case & Associados/Case Consultores, Eddy Costa.

“Para estes PJs, a grande vantagem é a carga tributária menor. Se ele tiver dúvida, com certeza um contador pode ajudar”.

Se enquadram como Empreendedor Individuais, aqueles que faturam até R$ 60 mil por ano, ou seja até R$ 5 mil por mês. A formalização gratuita é feita pela internet (www.portaldoempreendedor.gov.br) e permite aos inscritos a emissão de nota fiscal. Também dá acesso a benefícios previdenciários como aposentadoria, auxílio-doença e salário-maternidade.

Se o valor do faturamento anual for superior a R$ 60 mil, o profissional pode optar pelo Simples Nacional. Por lei, o faturamento máximo permitido neste regime é de até 3,6 milhões. A principal vantagem para o PJ é que o recolhimento mensal de alguns tributos, como Imposto de Renda Pessoa Jurídica e ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) é feito por um único documento.


Ariel Cannal

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