O mercado de trabalho e as consultorias de RH

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Devido à estagnação que o país enfrenta, as relações de emprego atuais são consideradas desoladoras: de um lado o empregador, que precisa enxugar seu quadro de colaboradores e garantir que seu “cash flow” no item salários absorva as poucas e eventuais gordurinhas disponíveis; do outro o colaborador, dado que essas ações sinalizam desemprego.

O PIB brasileiro de 2014, mesmo com a mudança das regras do jogo, fechou em 0,1% e, fala-se que no ano vigente será negativo, em torno de -01% a -1,5%. No mercado de trabalho, essas expectativas são desanimadoras para os empresários e, mais ainda, para os empregados. Como é de conhecimento geral, a “corda sempre arrebenta do lado mais fraco” e, quem sofrerá consequências relevantes será o empregado, que já perdeu seu emprego ou que tem a probabilidade de perdê-lo.

O que as consultorias de Recursos Humanos podem fazer para os profissionais mediante um cenário recessivo pelo qual estamos passando? Tudo, responderia… Neste momento a consultoria pode ajudar os demitidos ou em risco de demissão a encontrarem apoio psicológico e profissional, uma vez que serão tratados aspectos pessoais, familiares e eventuais particularidades, bem como questões referentes ao desenvolvimento da sua transição de carreira.

O ditado popular diz que, em situação de crise econômica, o negócio de lenços de papel fica em alta. Da mesma forma, os consultores de RH são essenciais em circunstâncias de crise. É quando mostram suas habilidades profissionais, desbravando na selva dos negócios, as muitas oportunidades que ainda existem, mas que não são divulgadas, podendo não ser as melhores oportunidades, mas são as opções do momento.

Se o profissional que hoje tem R$ 20 mil de remuneração, concordar em receber R$ 15 ou até R$ 10 mil, certamente será a melhor escolha do que ficar em casa apresentando sinais de desmotivação, depressão, insatisfação constante, sem planos para a semana, preocupação com a família e com os compromissos financeiros. Vale ressaltar que a ociosidade produz a ignorância e o trabalho gera o conhecimento.

Falando um pouco sobre faixas salariais praticadas pelas organizações, o assunto é algo um tanto complexo para se distinguir, pois a folha de pagamento é o maior item a pagar no budget financeiro de qualquer empresa, e suas referências dependem de vários fatores, como:

  • política salarial da corporação – está ligada ao planejamento global da empresa – é estruturada de acordo com a posição no mercado e os nichos de negócios do profissional, bem como os resultados efetivados por ele.
  • funcionário antigo, faixa salarial superdimensionada, não por mérito, mas sim pela estabilidade de vários anos na mesma empresa. O profissional se beneficiou de todas as negociações salariais e todo o índice extra dissídio foi se acumulando. Há casos em que funcionários antigos de casa ganham mais que o próprio chefe.
  • as promoções de vendas com reduções de preços dos produtos/serviços, fazendo uso da lei da oferta e da procura. Quando a procura diminui, a oferta aumenta e os preços reduzem. A saída para o problema é reduzir as margens de lucro para sobreviver, assim mesmo, tomando essas atitudes, não há garantia de sobrevivência. O empregador deve enxugar sua folha de pagamento, pois os tempos de bonança se foram, pelo menos neste momento.

Como foi citado, a faixa salarial depende muito do momento da economia, da oportunidade e da conscientização de cada profissional. Se você está estável em seu emprego, e a empresa anda bem nos negócios, continue como um bom colaborador, facilitando o entendimento entre os pares em prol da produtividade da empresa. Se for o inverso, boa sorte e conte com os consultores de RH.


Norberto Chadad

Norberto Chadad é Engenheiro Metalurgista pela Universidade Mackenzie, Mestre em Alumínio pela Escola Politécnica, Economista pela FGV, CEO da Thomas Case & Associados e Fit RH Consulting, e tem “Paixão por Pessoas”.

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