Os deslizes da Geração Y – Yahoo! Finanças

Você acaba de se formar, arrumou um emprego legal, acha que está caminhando na direção certa e, de repente, ops! Um deslize quase põe tudo a perder! Para não ser pego de surpresa, veja quais são os comportamentos menos aceitáveis no início da carreira

Por Carolina Mouta

Eles estão tomando conta do mercado. Recém-formados, os profissionais da chamada Geração Y, tem vinte e poucos anos e muitos objetivos. Mas, para que construam uma carreira de sucesso sem abandonar suas ideologias, há um extenso caminho a ser percorrido. E alguns deslizes fazem parte do percurso, principalmente aqueles que estão relacionados a competências comportamentais.

 A consultora da Resch Recursos Humanos, Jacqueline Resch, diz que o profissional em início de carreira deve estar atento a tudo. “Ele precisa aprender não somente sobre sua atividade, mas sobre o mundo do trabalho, suas regras, as relações de poder e influência, a cultura da empresa e como se relacionar, gerenciar conflitos e formar alianças construtivas”, sintetiza, dizendo, ainda, que hoje o mercado espera profissionais com espírito empreendedor, criatividade, iniciativa, energia para realizar, flexibilidade, capacidade de influenciar, capacidade analítica e de solucionar problemas e muitas outras. “É preciso aprender mais do que “o que fazer”. É preciso aprender “como fazer” e ainda a “fazer junto””, pontua.

E, nesse caldeirão, ocorrem alguns acertos e erros. Muitas vezes, os acertos vão passar despercebidos mas os erros, esses, sim, serão pontuados. O pior é que alguns podem deixar marcas que não se apagam e prejudicar o futuro profissional do recém-formado. “No longo prazo, isso pode levar o profissional a fazer escolhas erradas, conquistar inimigos, não criar relações baseadas em confiança”, explica a coaching Valéria Ritis. Então, equilíbrio é a peça-chave para uma carreira sólida. “Quem não vence suas próprias inseguranças e não arrisca acaba não progredindo, nem como especialista e, muito menos, como gestor. Da mesma forma, quem é autocentrado, não tem consciência de seus próprios limites e não consegue trabalhar em equipe, não se sustenta no longo prazo”, analisa Jacqueline.

Como ninguém está livre de cometer erros, se eles acontecerem, o importante é reconhecer o deslize e ter consciência de seu potencial (reconhecendo também o potencial dos outros). “Analise o porquê cometeu aquele erro, como poderia ter feito diferente para não falhar, o que faltou, o que houve em demasia. Reconheça o deslize sem culpa, tenha confiança de que poderá fazer corretamente da próxima vez e jamais transfira a responsabilidade de seus erros para outra pessoa. Assuma-se e sempre será respeitado por isso”, aconselha Valéria.

E você: faz parte da Geração Y e não sabe quando perde a linha? Os especialistas contaram quais são os principais erros dos profissionais em início de carreira. Veja:

Falta de postura

Nem tanto ao mar e nem tanto à terra. Postura individualista, nem pensar. Você faz parte de uma equipe e deve pensar no grupo sempre. “Adotar uma postura passiva, esperando sempre orientações e evitando a iniciativa por medo de errar também não é o ideal”, diz Jacqueline. Outra questão que merece atenção é o respeito às regras da Empresa e as de convivência. O melhor é manter um bom relacionamento com colegas e superiores sempre.

Arrogância

Um erro muito comum, segundo Jacqueline é adotar uma postura de quem sabe tudo e pode tudo, não reconhecendo a experiência e as ideias dos colegas, sejam os mais maduros ou os que pensam de forma diferente. Por ter vindo de escola e faculdade de primeira linha, por ter MBA no exterior e um currículo bem recheado, o jovem entende que possui competências suficientes e passa a ignorar a experiência de seus pares. “Agindo dessa forma, pode perder a grande oportunidade de vivenciar experiências valiosas para a carreira”, explica Valéria. A dica da coaching é: reconheça e valorize seu potencial, mas não ignore o potencial e experiência dos demais. “Ouça, observe, analise, respeite e seja humilde para aprender e compartilhar conhecimento”, ressalta.

Falta de preparação

Para César De Lucca, a falta de preparação adequada para a posição desejada é um dos problemas dos principiantes. “Subir na carreira exige esforço e não combina com todos os fins de semana na praia ou nas baladas”, diz. Para quem quer se destacar é necessário investir cursos de aperfeiçoamento e idiomas. “Hoje em dia não se pode progredir sem maior preparação”, justifica o consultor.

Querer queimar etapas

Outra situação recorrente é que muitos jovens se frustram por almejarem uma mais “nobre” e ganharem uma chance em algo função mais operacional. “O erro é querer pular etapas que serão importantes para o aprendizado, não só técnico, mas, principalmente, para o amadurecimento por meio de experiências que só são adquiridas na prática e são fundamentais para o desenvolvimento da carreira”, observa Valéria. E Jacqueline completa: “Não dá para entrar em uma empresa já querendo ser gerente”.

Dar mais importância a cargo e salário do que ao aprendizado

A inquietude da geração Y fez crescer o troca-troca de emprego em um curto espaço de tempo. Mas os especialistas não acham que isso seja tão positivo quanto pensam os iniciantes. “Para quem está começando a carreira é importante adquirir vivência profissional num período que complete um ciclo de aprendizado. Esse ciclo pode ser de dois, três anos ou mais. Depende de cada um. Trocar de emprego a toda hora poderá prejudicar esse ciclo”, aponta Valéria Ritis. É importante que, uma vez que a empresa ofereça condições adequadas de trabalho e aprendizado, o jovem vivencie tudo de bom que a empresa possa oferecer e também os problemas. “Saber lidar com situações adversas só beneficiará o profissional, por mais que possa parecer o contrário. As pessoas aprendem mais pelas dificuldades e tornam-se mais preparadas com o passar do tempo. O ideal, no meu ponto de vista, seria passar pelo ciclo de aprendizado pensando na carreira que pode galgar na empresa em que está”, aconselha Valéria. E Jacqueline finaliza: “A capacidade de lidar com frustrações, também é uma competência muito importante para quem quer fazer uma carreira de sucesso”.

As boas características da Geração Y

Não pense que tudo está perdido! Apesar dos arroubos que, por um momento, podem colocar tudo a perder, a Geração Y é cheia de qualidades. Inovação, criatividade, flexibilidade, adaptabilidade, liberdade de expressão, autoconfiança, desprendimento a velhos padrões são alguns dos pontos positivos destacados por Valéria Ritis. Já segundo Jacqueline Resch, essa nova geração de profissionais domina a tecnologia, é multitarefa, ativa e rápida. “Esses profissionais aceitam a diversidade, os pontos de vista diferentes e vários caminhos para se atingir um objetivo”, pontua.

Esses recém-formados também exigem coerência e consistência de seus líderes. “Esses jovens são questionadores, não se contentam com respostas prontas: vão a fundo, pesquisam, querem saber mais. Prezam a qualidade de vida não só no discurso, mas na prática”, completa Valéria Ritis. E não deixam de lado a ambição mas valorizam equilíbrio entre trabalho e lazer. Ser workaholic? Nem pensar! “Eles querem ganhar muito dinheiro sim, mas sem perder a vida toda no trabalho”, diz Valéria.

César De Lucca, Gerente de Transição de Carreira da Thomas Case & Associados, afirma que, para a Geração Y, o sucesso não é medido em assumir cargos de comando com grandes pacotes econômicos de remuneração. “O foco é qualidade de vida, satisfação com a escolha profissional e não é medido o sucesso apenas com prestígio e dinheiro”, ressalta.

Para não ficar na corda bamba e trilhar uma estrada profissional de sucesso, lembre-se de que somente os que se destacam por formação, atualização e dedicação irão progredir da forma planejada. “Quanto mais cedo se tomar consciência destes erros e evitá-los, mais cedo o sucesso virá, porém nunca é tarde pra começar a ter foco, estudar e se dedicar. O mais importante é uma correta correlação entre planejamento de carreira, objetivo e sucesso”, finaliza César.


Ariel Cannal

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