Profissionais associam web à produção menor – Diário do Grande ABC

Tauana Marin 
Do Diário do Grande ABC

A utilização da internet é um dos assuntos mais polêmicos quando se fala em trabalho. Para alguns, se desligar um pouco dos afazeres durante o expediente pode prejudicar o rendimento. Para outros, ter liberdade para dedicar alguns minutos do trabalho a uma atividade livre e prazerosa, ouvir música ou mesmo “dar uma espiadinha” em sua página nas redes sociais pode aumentar a produtividade.

A Trabalhando.com – comunidade virtual e consultoria em recrutamento e seleção – realizou pesquisa com 991 profissionais – 38% homens e 62% mulheres. Do total, 81% dos entrevistados disseram que não acessam as redes sociais enquanto estão no trabalho e, 19%, afirmam utilizá-las. A pesquisa ainda apontou que, para 51% dos entrevistados, não há como conciliar o trabalho e o uso das redes sociais ao mesmo tempo – para 49% isso é possível.

Já 13% afirmam que é importante fazer algumas pausas durante o dia para acessar seu perfil e relaxar e, para outros 36%, isso é individual, ou seja, depende do profissional e de como ele administra seu tempo. “Existem pessoas que conseguem conciliar os dois sem nenhum problema e, outras, que passam o dia todo nas redes e não conseguem produzir”, afirma Caio Infante, diretor-geral da Trabalhando.com. Segundo ele, o uso das redes sociais no trabalho é uma questão bastante particular.

OPINIÕES – O gestor deve observar e descobrir como cada profissional rende mais no trabalho. “Bloquear o acesso dos funcionários às redes pode ser bom para o rendimento de alguns, mas, outros, podem se sentir incomodados por ter essa liberdade tolhida, e isso também pode prejudicar o trabalho. Vale avaliar o perfil da empresa e dos seus colaboradores para decidir a liberação ou bloqueio das redes”, observa Infante.

O gerente de transição de carreira da Thomas Case & Associados (consultoria de recursos humanos), César De Lucca lembra que o primeiro passo para não se dar mal com o uso da internet no ambiente corporativo é ter bom senso. “Ficar postando fotos, frases no Facebook, por exemplo, durante o horário de trabalho, não é bom. Por mais que a pessoa cumpra suas metas diárias, a imagem que fica é que naquele momento ela estava ‘perdendo’ tempo e poderia estar fazendo ainda mais coisas.”

Acessar sites proibidos, que tenham pornografias, por exemplo, pode ser motivo para demissões por justa causa, assim como colocar nas redes informações ou negociações importantes da empresa. “Ao ser contratado, o profissional precisa saber o que pode e o que é proibido pela empresa. No entanto, mesmo que o uso da internet seja liberado, não se pode abusar de tal forma”, analisa De Lucca.

O especialista lembra que há profissionais que utilizam mais a web, como as empresas de comunicação e propaganda, onde o ambiente é mais descontraído. “Mesmo assim, sempre há regras. Nunca se deixe levar pela leveza do ambiente de trabalho. Os gestores estão sempre de olho”, alerta.

Redes sociais são o novo mecanismo para contratação

Além de entregar o currículo e fazer a entrevista, muitas empresas visitam as páginas nas redes sociais de seus candidatos antes da contratação. Facebook, Twitter, Orkut, Instagram ou Linkedin são algumas das opções da atualidade, que fornecem às empresas informações valiosas sobre o comportamento das pessoas. “Ou seja, fotos que afetem de forma negativa a imagem do profissional – bebendo, com roupas indecentes – podem atrapalhar a efetivação. Nenhuma empresa aprecia perfis assim”, lembra o gerente de transição de carreira da Thomas Case & Associados (consultoria de recursos humanos), César De Lucca.

Ele explica que as redes são excelentes no quesito relacionamento social, no entanto, não deixam de expor a vida das pessoas. “Vale ressaltar que as empresas gostam de discrição.”


Ariel Cannal

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