Vença a concorrência para ocupar uma vaga da empresa no exterior – Brasil Econômico

Crise na Europa tornou programas de expatriação cada vez mais escassos, mas vale a pena participar

Flávia Furlan
ffurlan@brasileconomico.com.br

Abrir mão do emprego, deixar a família para trás e poupar dinheiro por meses fazem parte da programação de quem quer contar com uma experiência internacional no currículo. No entanto, um seleto grupo de profissionais não precisa disso: eles trabalham em empresas que oferecem programas de expatriação, que incluem o pagamento de salário, ajuda de custo para morar no exterior e, em alguns casos, apoio para o parceiro e filhos na mudança.

O acesso a esses programas ficou mais difícil devido a crise que fez com que muitas empresas, principalmente as multinacionais, precisem cortar custos – e um dos primeiros atingidos é o programa de expatriação. Isso significa que menos executivos têm sido levados pra fora – quem tiver a chance, deve aproveitar. “Atualmente, está mais comum receber profissionais do exterior do que o contrário”, afirma o diretor-executivo da Thomas Case & Associados/Case Consultores, Ricardo Munhoz.

Pesquisa realizada pelo Hay Group neste ano com 83 empresas brasileiras mostrou que apenas 9,5% usam programas de intercâmbio para atrair profissionais, enquanto pouco mais de um terço retém funcionários com uma oportunidade internacional.

Entre as empresas que oferecem experiência internacional hoje, a concorrência pode ser comparada à de um vestibular. O executivo da área de seguros Fabrizio Ribeiro, de 33 anos, teve de desbancar outros 40 concorrentes brasileiros para conseguir uma dessas oportunidades na empresa em que trabalha.

Ribeiro foi escolhido pelo seu projeto para trazer ao Brasil práticas de benefícios corporativos flexíveis. A ideia consiste em conceder pontos aos funcionários de uma empresa, para que troque por benefícios que façam diferença em sua rotina. Assim, uma mulher com filhos pode optar por uma creche, enquanto alguém que ainda não fez pós-graduação pode escolher ajuda de custo para ingressa em um curso destes. “O que acredito que pesou para que eles me escolhessem foi o projeto em si, o momento da minha carreira e minha performance”, afirma.

De acordo com Willian Bull, consultor sênior do Instituto Pieron, dentro da política de expatriação das empresas, são considerados aspectos relacionados à necessidade do negócio para a escolha do profissional que participará do programa. Entre elas estão capacidade, experiência, idioma e características pessoais como adaptação à outra cultura e respeito à diversidade.

“Para se tornar elegível, é interessante o cuidado com a formação e com a carreira, no sentido de procurar por excelência no próprio desempenho, a disposição para assumir e levar adiante certos tipos de desafios e expressar o desejo de uma exposição internacional.”

Munhoz acrescenta que quem tem interesse em experiência internacional primeiro deve escolher uma multinacional para trabalhar e aprender outros idiomas. Além disso, deve se planejar para que o programa não dê errado: “É preciso pesquisar a cultura, costumes, alimentação e clima, perguntando para quem já foi e entrando em contato com profissionais de lá.” São detalhes que fazem a diferença para que o profissional não tenha problemas que o levem a voltar para o Brasil, e ainda mais desmotivado com a empresa em que atua. O sentido de uma experiência como esta é exatamente outro: trazer ganhos para o profissional que o levem inclusive a uma promoção.

Depois da experiência internacional, Ribeiro, por exemplo, conseguiu passar de executivo sênior para gerente de uma nova área. Mas a experiência internacional, para ele, trouxe mais do que esta mudança para a sua vida: “O contato com o patrimônio histórico e cultura do país fica para sempre”, diz.


Ariel Cannal

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